O Forró do Jerônimo e a Superlotação nas UPAs de Salvador

Ex deputado Heraldo Rocha

Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues aproveita o clima festivo do São João, pulando fogueiras e dançando forró, a população baiana enfrenta uma realidade dramática: as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Salvador estão superlotadas, funcionando como verdadeiros hospitais de emergência. O que era para ser atendimento rápido e provisório se tornou a única alternativa para milhares de pacientes que não conseguem acesso à rede hospitalar estadual.

Com o fechamento ou o esvaziamento das emergências de hospitais estaduais, as UPAs vêm sendo utilizadas de forma equivocada, sobrecarregadas por pacientes que deveriam estar internados em unidades de média e alta complexidade. O agravante é que, além da população da capital, pessoas de diversas regiões do interior, como Valença, a Costa do Dendê, Santa Amaro e municípios do Recôncavo Baiano, estão vindo para Salvador em busca de atendimento. Muitos chegam a tirar novos cartões do SUS com endereços da capital, numa tentativa desesperada de conseguir algum cuidado médico.

Essa migração não é por acaso. É reflexo da falta de estrutura nas cidades do interior, que não dispõem de hospitais capazes de atender casos mais graves. A fila da regulação virou um labirinto sem saída, e a solução tem sido a peregrinação à capital, pressionando ainda mais um sistema já em colapso.

Senhor Governador, entre uma quadrilha e outra, entre o palco e os fogos, há uma multidão de baianos que aguarda por um leito, um exame, um diagnóstico. As festas juninas ainda não acabaram — o São Pedro vem aí —, mas a saúde pública da Bahia parece ter encerrado sua participação muito antes da última sanfona tocar.

É hora de olhar para o povo e agir com a mesma energia dedicada aos festejos. O forró pode esperar. A vida, não. Texto Heraldo Rocha

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